COLUNISTAS

Dr. Mauro Bomfim

Tiririca no palco da ilusão

Tiririca está deixando o Congresso. Tiririca volta a ser palhaço. Volta ao bom e velho caminho do circo. Troca o paletó e gravata pela sua fantasia de palhaço. A mesma fantasia que lhe serviu de catapulta manejada por seu partido para arrastar milhares de votos em São Paulo, levando com  ele outros suplentes para a Câmara dos Deputados.

Tiririca cansou de Brasília. Ali certamente convive não com o ambiente de alegria contagiante do circo e dos espetáculos que encantam adultos e crianças. No Congresso certamente convive com o espetáculo da corrupção. Ao seu lado, vê trapezistas de maracutaias, malabares da improbidade, domadores da indecência.

Tiririca quer viver novamente seu sonho de palhaço. Quer de volta o jogo lúdico e inocente dos gracejos e da gabolice. Não quer participar do jogo bruto de Henrique Alves e Renan. Impossível para ele absorver os sussurros dos corredores do Congresso, onde mercadores vendem a alma para levar vantagem e fazer negócios sempre à custa da bolsa pública.

Não é esse o ingresso a ser pago no circo de Tiririca. Nas suas exibições, o ingresso pago pelo público é devolvido em forma de risada e alegria. A pureza angelical do sorriso de uma criança se divertindo com os gracejos de Tiririca supera qualquer benesse do toma lá dá cá do jogo sujo do Congresso.

Tiririca vive um dilema. Deixar a vida política. Voltar a sonhar os sonhos de um  palhaço, como os versos daquela música da Vanusa. No Congresso, Tiririca é palhaço sem querer. Sem o rosto pintado na solidão do Plenário da Câmara, sem a vestimenta de palhaço, se sentindo talvez nu dentro do terno e com a garganta afrouxada pela gravata, Tiririca pensa, como nos versos da música,  que o mundo sempre foi um circo sem igual onde todos representam bem ou mal, onde a farsa de um palhaço é natural

Tiririca sabe que  o palhaço pinta o rosto prá viver. E que no Congresso muitos deputados e senadores usam mesmo óleo de peroba para lustrar a cara de pau. Ou escondem seus golpes sob véus de interesses inconfessáveis.

Tiririca volta para seus amigos do circo, para a família, para fazer a alegria de muitos com suas paródias e seus gracejos. O bordão da candidatura “Vote em Tiririca, Pior não Fica”, lembrança de manifestação apolítica, estandarte que sempre aparece nas eleições, agora é apenas retalho de cetim dessa fantasia política de um sistema partidário e eleitoral apodrecido e envelhecido cheirando a naftalina num velho baú.

Tiririca volta ao picadeiro. As luzes da ribalta se acendem com mais força na arena da vida. O palhaço deixa para trás o Congresso, palco de tantas perdidas ilusões.
 

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