COLUNISTAS

Dr. Mauro Bomfim

Presidente boquirroto

Boquirroto é aquele que fala demais. Simples definição dos dicionários. No passado, as raposas políticas do velho PSD,  e notadamente políticos mineiros com o realce para José Maria Alkmin, que costumar dizer que as vezes a melhor maneira de falar muito é ficar rouco de tanto ouvir.

Em matéria de pronunciamento público, o presidente Lula deveria ser mais pragmático, aceitar o enquadramento da assessoria quanto à elaboração de textos ou discursos a serem lidos. Os famosos “ghost-writers”. O do saudoso Tancredo Neves era o notável jornalista Mauro Santayanna. Os principais estadistas do mundo adotam o texto lido , principalmente em solenidades de protocolo mais rígido.

É claro que não defendo automatizar ou robotizar os governantes ou que apresentem um espetáculo de loquomaquia, um jogo de palavras ou frases feitas. O político pode improvisar, mas desde que saiba concatenar as idéias, uma espécie de fala pré-ordenada que notáveis oradores do Parlamento Brasileiro, da estirpe de Carlos Lacerda, Afonso Arinos, Gustavo Capanema e outros sabiam fazer muito bem.

No Planalto, aposta-se no vale-tudo para Lula. Imaginam alguns que sua biografia de retirante nordestino autorizaria uma fala arrevesada, o linguajar labrego, a patacoada dos parlapatões, para usar  inusitada expressão que o ex-presidente da República, Fernando Collor pronunciou num embate com o Senador Pedro Simon.

Aí é que entra o figurino do estadista, o homem público que exerce o cargo de presidência da República que a liturgia exige. Ninguém prega aqui a alteração da personalidade, o culto ao formalismo protocolar. O presidente da República, seja de paletó e gravata, seja em manga de camisa, pode se expressar esteticamente dentro do razoável, sem machucar os ouvidos ,  dizer baixarias ou besteirol, isso prá não falar na agressão ao vernáculo, no pisotear da bela e inculta Flor do Lácio, como dizia Bilac de nossa tão estuprada língua portuguesa.

“Eu sou filho de uma mulher que nasceu analfabeta."; “Quando se aposentarem, por favor, não fiquem em casa atrapalhando a família. Tem que procurar alguma coisa para fazer." Se querem ler mais, procurem no Google “As grandes frases de Lula”.

Uma das mais recentes frases do o presidente Lula, “ Somos nós contra eles, eles contra nós", “pão, pão, queijo, queijo”, ditas por um Lula de chapéu e manga de camisa, durante o lançamento da transposição das obras do Rio São Francisco, ao lado de dois pré-candidatos da base governistas à sua reeleição, Dilma Roussef e Ciro Gomes. Abuso político eleitoral à parte, essas frases de ocasião em cerimônia paga com dinheiro público fazem aumentar ainda mais o fosso entre o governante que encarna a personificação institucional e aquele que simplesmente profere bravatas ou verbaliza frases desconexas, sem um mínimo de conteúdo ou consistência lógica.

 As frases mais recentes foram ditas por Lula no momento em que o marqueteiro Ben Self, responsável pela campanha online de Barack Obama à presidência dos EUA, se encontrava em Brasília fechando acordo para cuidar da campanha eleitoral na web do PT na internet durante as eleições em 2010. Duvida-se que o presidente norte-americano Obama, assessorado por Ben Self,  não tenha sempre no bolso do paletó o texto de seu “speech” previamente elaborado pela assessoria , evitando-se gafes, cacófonos e outras pavonices presidenciais..

Lula parlapateia, Dilma fala javanês. Certamente, Ben Self terá muito trabalho.
 

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