BELO HORIZONTE (MG) - O prefeito de Abre Campo e conselheiro fiscal da Associação Mineira dos Municípios (AMM), Marcinho Victor (PSDB), criticou a concentração de recursos na União e defendeu mudanças no pacto federativo para fortalecer financeiramente os municípios. A avaliação foi feita durante entrevista ao programa Café com Política, exibido pelo Portal O Tempo, nesta terça-feira (6/1).
Segundo o prefeito, embora os municípios concentrem as principais demandas da população, a maior parte da arrecadação permanece nas mãos do governo federal. “Os impostos são pagos no município e a maioria dos recursos estão na União, aproximadamente 70%. Os Estados ficam com cerca de 20% e apenas 10% são divididos entre todos os municípios”, afirmou.
Para o conselheiro da AMM, esse desequilíbrio na distribuição e repasse compromete a capacidade de resposta das prefeituras. “Os problemas acontecem no município. É aqui que a população vive e cobra solução. O recurso precisa estar chegando diretamente no município para que os problemas sejam resolvidos”, afirmou.
Em meados de 2025, prefeitos mineiros já apontavam uma corrosão das contas públicas devido à necessidade de custear, com recursos próprios, serviços e programas que, por lei, são de responsabilidade estadual ou federal. Para solucionar o imbróglio, eles pleiteavam a regularização de repasses de modo a garantir uma fonte de custeio para cada despesa gerada às administrações municipais.
Para Marcinho, os prefeitos têm conhecimento direto das dificuldades enfrentadas pela população justamente por estarem em contato diário com a realidade local. “Os prefeitos sabem mais do que qualquer um os problemas que a população está vivendo, porque convivem com isso no dia a dia”, completou.
Ao comentar a atuação da AMM, o prefeito ressaltou que entre as principais bandeiras da entidade, está a redução da burocracia para o acesso aos recursos públicos. “Precisamos encontrar uma solução para que o recurso chegue mais fácil aos municípios, com menos burocracia”, relatou, ao apontar esse tema como um dos focos centrais da atual gestão da associação.
O prefeito também comentou as discussões políticas envolvendo o presidente da AMM e uma possível candidatura ao governo de Minas Gerais. Segundo Marcinho, o presidente da entidade, Luis Eduardo Falcão, tem adotado uma postura cautelosa. “É uma pessoa sensata, centrada, que está tentando construir um grupo com os prefeitos para que, se não for candidato, pelo menos os municípios tenham uma voz ouvida”, concluiu.
Érika Giovannini / O Tempo

.png)