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Palestra sobre Memórias Fantasmas de Manhuaçu é realizada na AML

28/03/2026 - Atualizado em 28/03/2026 08h42

MANHUAÇU (MG) - A Academia Manhuaçuense de Letras realizou, na noite desta sexta-feira,27, a primeira reunião da Gestão 2026/2027, sob a  presidência do pastor Sérgio Veiga.  Na reunião foi apresentado o calendário da AM para o 1º semestre de 2026, além de outras ações implementadas pela nova diretoria, o fortalecimento do trabalho, abertura do espaço para ampliar as discussões da cultura local e divulgação da Casa de Cultura, que guarda a historia da região.

Para enriquecer ainda mais a primeira reunião da academia, o arquiteto urbanista, Aldo de Sá fez uma palestra sobre as “Memórias Fantasmas de Manhuaçu”, tema defendido na Universidade Federal de Ouro Preto, para a obtenção do grau de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo. O curta metragem pode ser assistido no youtube (no final desta reportagem.

De forma bem detalhada, Aldo de Sá buscou no passado as casas construídas com detalhes, que as deixavam imponentes e chamavam a atenção.  Com o passar dos anos, os olhares voltaram para o capitalismo e o mercado imobiliário impôs, ultrapassou barreira e apagou boa parte da história. A Villa Sylvia e a Villa Julieta foram fontes, para que o arquiteto urbanista, Aldo de Sá pudesse fazer um paralelo com o avanço e, o emprego da moderna engenharia. Muitas coisas desapareceram do espaço e, repentinamente surgiram os arranha-céus.  A casa imponente, que está situada à Rua Nudant Pizelli foi construída em 1918, configura-se como edificação de destaque para a compreensão da ocupação de Manhuaçu e foi tombada. A Villa Julieta, construída em 1935, nas esquinas das ruas Cel. José Pedro com Frederico Dolabela foi tombada, porém não existe mais.  Em seu lugar está sendo construído um grande edifício.

Da beleza do passado ao futuro cinzento

Com o surgimento de grandes edifícios, as pessoas praticamente esqueceram as casas antigas, que chamavam a atenção devido ao estilo da construção. O arquiteto urbanista, Aldo de Sá contextualiza que, o realismo capitalista fornece a base para entender como a lógica de mercado se impõe, como o único horizonte possível em Manhuaçu, tornando a demolição do patrimônio histórico, uma decisão vista como meramente racional e inevitável.

Em entrevista, Aldo de Sá destacou que resgatou  o passado bem distante e,  através da Villa Sylvia e Villa Julieta foi possível traçar um ponto sobre as consequências das demolições, dos prédios que estão sendo construídos e, que tipo de cidade as pessoas pensam e, as memórias fantasmas que todos querem escolher, para retratar quais vultos ficarão na memória das próximas gerações. “Eu quis realizar esse trabalho, para despertar as pessoas, realizar debates sobre essa situação. Todos nós que moramos em Manhuaçu deveríamos ampliar essa discussão, para que o passado não fique esquecido. A preservação é importante, e podemos observar que a Villa Sylvia continua preservada e a Villa Julieta não existe mais”, pontua Aldo de Sá. Ele também ressalta que, o momento é de mobilização pela academia, escolas e trazer os jovens para debate na Academia de Letras, com a participação de todos para a construção de um futuro melhor para a cidade de Manhuaçu. Quem mora aqui deve observar e valorizar o que ainda resta, pois é difícil fechar os olhos e imaginar como será a cidade daqui a 10 ou 30 anos, com o crescimento desordenado e sem preservação de algo do passado.

Eduardo Satil

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