MANHUAÇU (MG) - Manhuaçu se despede de uma de suas mais nobres histórias de vida. Faleceu nesta quinta-feira, 17 de abril de 2026, aos 97 anos, Maria Celeste de Carvalho Silva — mulher cuja trajetória se entrelaça com a própria construção educacional e humana do município.
Nascida em 17 de março de 1929, filha de Antônio Rodrigues de Carvalho e Leonor Campos Carvalho, Dona Celeste cresceu sob valores sólidos de trabalho, responsabilidade e respeito ao próximo. Ainda jovem, ajudava no comércio da família, experiência que moldou sua sensibilidade no trato com as pessoas, uma marca que carregaria por toda a vida.
Vocacionada para ensinar, formou-se Normalista pela tradicional Escola Normal de Manhuaçu, hoje Escola Estadual Maria De Lucca Pinto Coelho. Na sala de aula, encontrou mais que uma profissão: encontrou um propósito. Como professora primária, atuou com dedicação nas escolas Antônio Welerson e Monsenhor Gonzalez, onde ajudou a formar gerações de crianças, sempre com paciência, carinho e firme crença no poder transformador da educação.
Em 31 de outubro de 1959, uniu-se a Osmar Nogueira da Silva, com quem construiu uma vida pautada pelo companheirismo e pela dedicação à família. Juntos, edificaram um lar que se tornaria referência de união, valores e afeto.
Na década de 1970, movida por sua determinação e amor pelo conhecimento, Dona Celeste retomou os estudos, formando-se em Pedagogia e posteriormente se especializando em Inspeção Escolar. Sua atuação como Inspetora, nas décadas de 1980 e 1990, foi marcada pelo equilíbrio, empatia e profundo respeito à comunidade escolar. Mais que cumprir normas, ela buscava compreender, orientar e cuidar, sempre com olhar humano voltado a alunos, professores e gestores.
Após anos de dedicação à educação, aposentou-se deixando um legado que ultrapassa os limites das instituições onde atuou. Sua contribuição permanece viva na memória de todos que foram tocados por sua missão de ensinar e acolher.
Mas sua maior obra talvez tenha sido construída fora dos muros da escola. Ao lado do esposo, formou uma família numerosa, Ricardo, Maria da Conceição, Antônio, Leonor, Fernanda e Jacinta, que perpetua seus ensinamentos de amor, respeito e união.
Dona Celeste não foi apenas uma educadora. Foi exemplo de sabedoria, perseverança e humanidade. Sua história, embora marcada pela simplicidade, revela uma grandeza rara — daquelas que não se medem em títulos, mas na capacidade de transformar vidas.
Sua partida deixa saudade, mas também um legado imenso. Um legado que permanece nas salas de aula que ajudou a construir, nas famílias que influenciou e, sobretudo, nos corações daqueles que tiveram o privilégio de conhecê-la.
Celebrar a vida de Maria Celeste de Carvalho Silva é reconhecer a força silenciosa de quem educa, cuida e inspira. É entender que as maiores contribuições não são visíveis aos olhos, mas eternas na memória.

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