MANHUAÇU (MG) - A dupla Alberto e Fernando participou de uma entrevista especial com Alexandre Ferreira no Programa Manhã Show na Rádio Caparaó, em Manhuaçu, para apresentar o novo trabalho musical, “Mineiro Cantador”, lançado nas plataformas digitais. Em uma conversa marcada por descontração, humor, memória afetiva e valorização da música sertaneja raiz, os irmãos contaram detalhes da trajetória, falaram sobre influências musicais, desafios da carreira e destacaram a importância da família no início da caminhada artística.
Nascidos em Manhuaçu e atualmente moradores de Caputira, Alberto e Fernando carregam na identidade musical a ligação com Minas Gerais, com o interior e com a tradição sertaneja. Logo no começo da entrevista, os dois reforçaram o vínculo com a terra natal e com a cidade onde vivem atualmente. Em tom bem-humorado, Alberto definiu Caputira como “cidade do café e da quentura”, mas fez questão de lembrar: “sou manhuaçuense, moro em Caputira, mas o coração está aqui em Manhuaçu”.
A música entrou cedo na vida dos irmãos. Alberto contou que a vontade de cantar surgiu ainda na infância, quando ouviu uma música de Victor & Leo no rádio. Segundo ele, a mãe, Josiane, costuma lembrar que foi naquele momento que ele percebeu o desejo de seguir esse caminho.
“Minha mãe conta que foi quando eu escutei a primeira música do Victor & Leo que tocou no rádio. Foi ‘Fada’, do Victor & Leo. Eu olhei os caras cantando e falei: ‘eu quero fazer o que eles fazem’”, recordou Alberto.
Na época, ele tinha aproximadamente quatro ou cinco anos. A partir daí, a música passou a fazer parte da rotina familiar. Fernando, por sua vez, contou que começou a se interessar pela carreira musical ao acompanhar o irmão nas aulas.
“Assim que meu irmão começou a fazer aula, eu já olhei para ele tocando e falei: ‘eu quero acompanhar ele’. Desde aí estou até hoje, não larguei mais”, contou Fernando.
A família tem papel essencial na construção da dupla. Os pais, Alberto e Josiane, acompanham de perto a trajetória dos filhos e ajudam nos bastidores, desde a organização até os contatos para apresentações. Durante a entrevista, os irmãos brincaram que os pais “ficam com as contas e com a dor de cabeça”, enquanto eles cuidam da parte musical.
O apoio familiar também foi decisivo para que a música deixasse de ser apenas uma brincadeira e passasse a ser encarada com mais seriedade. Alberto contou que, inicialmente, cantava pelo gosto pessoal, sem imaginar uma carreira profissional. O incentivo veio de casa.
“Eu gostava e fazia por gosto. Mas a minha mãe animou com o trem e falou: vamos puxar o bonde, vamos seguir isso”, contou.
A dupla também falou sobre os desafios enfrentados por artistas em início de carreira. Para Alberto, a maior dificuldade atualmente é financeira. Ele explicou que, embora as plataformas digitais tenham facilitado o acesso dos músicos ao público, o investimento em produção, divulgação e marketing ainda é muito alto.
“O mais difícil da música hoje é o financeiro. Antigamente, o desafio era achar um lugar para você colocar sua música. Hoje está muito fácil achar um lugar, mas o marketing está muito caro. Tem produtor em nível nacional que cobra R$ 3 milhões, R$ 4 milhões para fazer um projeto. Qual artista iniciante tem esse cacife para começar?”, questionou.
Segundo ele, o artista consegue publicar músicas em plataformas como YouTube, Spotify e Deezer, mas precisa de planejamento, produção de qualidade e estratégia para que o trabalho chegue ao público. “Está muito fácil colocar sua música no lugar, mas está difícil chegar nesse lugar”, resumiu.
As influências musicais de Alberto e Fernando passam por nomes clássicos do sertanejo. Fernando citou referências como Eduardo Costa e Tião Carreiro. Alberto também destacou nomes como Ronaldo Viola e Praiano, Tião Carreiro, João Mineiro e Marciano, além do Trio Parada Dura. Ele explicou que o contato com o sertanejo mais antigo foi fundamental para aprender a fazer segunda voz.
“Eu gosto de escutar coisa mais antiga. Porque a segunda voz tem uma diferença da primeira. Tem gente que abre a boca e faz segunda voz. Não foi meu caso, eu tive que aprender. E quando você tem que aprender, você tem que escutar muito”, explicou Alberto.
A busca por uma identidade própria também apareceu como um ponto forte da entrevista. Questionados sobre qual dupla ou estilo se aproximaria do trabalho deles, os irmãos afirmaram que nunca tiveram a intenção de copiar outros artistas. A proposta, segundo eles, é preservar a originalidade.
“A gente nunca tentou olhar para uma dupla e falar: a gente quer cantar igual eles. Acho que a gente tem o nosso próprio estilo. A gente não tenta copiar ninguém”, afirmou Fernando.
Alberto reforçou a importância de não perder a autenticidade. Para ele, grandes artistas do sertanejo se destacaram justamente porque trouxeram algo novo ao mercado, sem apenas repetir fórmulas já existentes. “Quem trouxe para o mercado, como Zezé Di Camargo, Chitãozinho & Xororó e Jorge & Mateus, reinventou o mercado sertanejo. Eles trouxeram algo que não tinha antes. Por isso estão até hoje ali”, afirmou.
O novo trabalho, “Mineiro Cantador”, representa essa busca por identidade. A música, segundo Alberto, é “100% na viola” e simboliza a realização de um sonho da dupla. A composição é de Eric Dutra, de Vila Nova, parceiro dos irmãos há alguns anos.
Alberto contou que a escolha da música aconteceu durante uma viagem a Goiânia, quando surgiu a oportunidade de gravar duas faixas. Ao ouvir “Mineiro Cantador”, a dupla decidiu imediatamente que aquela seria uma das músicas do projeto. “O produtor ligou e falou que abriram duas músicas para a gente gravar. Eu fui direto ao Eric e falei que precisava de duas músicas. Ele mandou ‘Mineiro Cantador’ e eu falei: pode fechar, estamos no negócio”, relembrou.
Para os irmãos, a canção traduz muito da própria história da dupla, mesmo tendo sido escrita por outra pessoa. “Foi ele que escreveu, mas parece que fez para nós. Ele tem um estilo de vida bem parecido com o nosso. A música representa a gente”, afirmou Alberto.
O projeto foi gravado em Goiânia e conta com duas músicas. A segunda faixa tem lançamento previsto para o Dia dos Namorados, com uma proposta mais romântica. Segundo a dupla, a canção foi pensada para quem vive um relacionamento e quer compartilhar uma mensagem especial na data.
Além de Eric Dutra, outro nome destacado na entrevista foi o da professora Raquel Lopes, de Vila de Fátima. Alberto e Fernando fizeram questão de reconhecer a importância dela na formação musical dos dois. Segundo eles, Raquel foi responsável por incentivar, ensinar e insistir para que continuassem aprendendo. “A Raquel foi tudo. Ela pegou no pé e falou: você vai aprender. Meu pai queria me tirar da aula de violão, achando que eu não estava aprendendo direito. Ela falou: espera mais um pouco que ele vai aprender. Ela pegou firme até eu pegar gosto”, contou Alberto.
A professora também ajudou Fernando no aprendizado da segunda voz e chegou a orientar os irmãos mesmo à distância, enviando áudios e explicações durante a gravação em Goiânia.
Outro momento lembrado foi a participação da dupla em um festival de música autoral em Sacramento, em 2019. Alberto contou que venceu o festival com uma música composta por ele ainda aos oito anos de idade. A canção, de tom romântico e sofrido, nasceu de forma espontânea, enquanto cantava no banheiro. “Eu escrevi essa música com oito anos de idade, dentro do banheiro. Imagina, com oito anos escrevendo sofrência?”, brincou.
A vitória no festival marcou um ponto de virada para os irmãos. Foi a partir dali que passaram a enxergar a música com mais seriedade e começaram a se apresentar em bares e eventos da região.
“Foi a época que a gente falou: agora está sério. Começamos a cantar em boteco, começamos a descobrir o que a gente queria e a nossa própria originalidade”, disse Alberto.
Durante a entrevista, a dupla também apresentou trechos de músicas que fazem parte do repertório, como “Saudade”, de Chrystian & Ralf, bastante pedida pelo público nos shows. Alberto contou que quem já acompanha as apresentações da dupla costuma pedir essa canção com frequência. Já entre as músicas tradicionais sempre lembradas pelo público estão clássicos como “Boate Azul”, “A Dama de Vermelho”, “Ainda Ontem Chorei de Saudade”, “Frio da Madrugada” e “Nos Bares da Cidade”.
Além da música, a entrevista revelou a personalidade bem-humorada dos irmãos. Entre brincadeiras sobre idade, aparência, namoradas e bastidores da carreira, Alberto e Fernando demonstraram espontaneidade e proximidade com o público. O comunicador da Rádio Caparaó destacou justamente a humildade da dupla como uma característica marcante.
Ao serem perguntados sobre o que desejam transmitir com a música, os irmãos deram uma resposta direta: verdade. Para eles, sucesso não está necessariamente ligado a dinheiro ou fama, mas a fazer aquilo de que se gosta sem arrependimento. “A gente quer mostrar que, para ter sucesso, não precisa ter dinheiro nem fama, mas fazer o que gosta sem olhar para trás e se arrepender do que fez”, afirmou Alberto.
No encerramento, os irmãos agradeceram à Rádio Caparaó pelo espaço e pela valorização da cultura sertaneja. Alberto ressaltou que iniciativas como essa ajudam a manter viva a raiz da música sertaneja, especialmente em um momento em que o mercado musical passa por muitas transformações.
“O sertanejo, devido à atualização de mercado dos últimos anos, está perdendo muito espaço na sua raiz nas mídias que temos hoje. O que vocês fazem é muito importante para manter a nossa cultura viva e manter aceso aquilo que pessoas de 60, 70, 80 anos atrás lutaram para colocar hoje para a gente”, afirmou.
Fernando também agradeceu à família, especialmente ao pai e à mãe, pelo apoio constante. “Sem eles nada disso seria possível”, destacou.
A nova música “Mineiro Cantador”, de Alberto e Fernando, já está disponível nas plataformas digitais. A dupla pode ser acompanhada pelo Instagram, YouTube, Spotify e demais plataformas pelo perfil @albertoefernando_. Para contratação de shows, o contato informado durante a entrevista foi (33) 99977-6066.

.png)