CARATINGA (MG) – E se a tão desejada segunda chance viesse com um custo alto demais? Essa é a pergunta que move “O Clube da Segunda Chance”, romance de estreia do jornalista e escritor José Horta, publicado pela Editora Viseu e já disponível em livrarias e plataformas digitais.
A trama gira em torno de cinco personagens que se encontram em uma sessão de terapia coletiva. Cada um carrega cicatrizes profundas — físicas, morais ou emocionais — e todos são levados ao limite quando precisam lidar com as próprias culpas, frustrações e verdades inconfessáveis.
Entre os integrantes do grupo estão uma mulher abandonada após vencer o câncer, uma jovem que perdeu a capacidade de ser mãe, um funcionário público arrogante, um religioso hipócrita e um ateu ressentido desde a infância. À frente do grupo está uma psicóloga idealista que acredita poder curar o que o tempo não curou. Mas, à medida que as reuniões avançam, ela descobre que as feridas dos participantes são muito mais profundas — e perigosas — do que imaginava.
“Recomeçar exige coragem, mas exige também sacrifício”, provoca o autor, que aposta em um estilo que mescla crônica social, realismo psicológico e ironia literária.
Narrativa com crítica social, humor ácido e cultura pop
Escrito com fina ironia e densidade emocional, o romance reflete sobre a fragilidade humana diante da culpa, da fé e do autoengano. A linguagem moderna e o ritmo cinematográfico incorporam referências da cultura pop: músicas, filmes e ícones da mídia aparecem como espelhos das emoções dos personagens.
A canção “(What's So Funny 'Bout) Peace, Love and Understanding”, imortalizada por Elvis Costello, surge como trilha simbólica da história — um pedido de esperança em meio ao caos moral que move o enredo. “Uso muitas referências da cultura pop no livro. Procurei exaltar personalidades de que gosto, seja na música, no cinema ou na literatura.”
O livro também revisita o espaço onde a narrativa se desenrola: um antigo leprosário que, ao longo das décadas, foi bordel e, por fim, sede de um grupo de terapia. Esse cenário se torna uma alegoria poderosa sobre o país — um lugar condenado a se reinventar sem nunca se curar completamente.
A vida por trás do livro
A ideia do romance nasceu de uma experiência pessoal. “Sofri um infarto e o médico, Dr. André Rausch, me disse: ‘Você teve uma segunda chance da vida’, ao me revelar que mais de 90% de minha artéria estava obstruída”, relembra José Horta. Pouco tempo depois, ao conversar com a amiga Juliana Nunes Ramos, sobrevivente de um acidente automobilístico grave ocorrido em 2005 no Morro da Usipa, entre Ipatinga e Coronel Fabriciano, ouviu dela uma frase que se tornaria o destino da obra: “Bem-vindo ao clube”. “Assim nasceu o livro; os personagens foram sendo criados naturalmente. Interessante que as pessoas perguntam se tem algo autobiográfico. Respondo que ‘não’, pois o exercício de escrever é uma forma de criar; esse é o grande poder da literatura: criar novas vidas e novos lugares...”
Dessa vivência nasceu um projeto literário que une observação jornalística e reflexão existencial — uma busca pela resposta à pergunta que atravessa o livro: é possível recomeçar sem deixar algo para trás?
A simbologia da capa
A capa de ‘O Clube da Segunda Chance’, criada por Nayara Priscila Andrade, traduz visualmente a essência do romance. As tonalidades terrosas e o contraste entre luz e sombra sugerem tanto a cicatriz quanto a possibilidade de renascimento. A imagem central — que evoca uma casa antiga, imponente e misteriosa — remete ao edifício onde tudo acontece: um espaço que abriga histórias de exclusão e esperança, morte e recomeço.
O projeto gráfico, assinado pela BookPro, reforça a atmosfera densa e simbólica do texto. Cada detalhe — da tipografia clássica às margens equilibradas — contribui para transformar o livro em um objeto estético à altura de sua carga literária.
Sobre o autor
José Horta é jornalista, redator e escritor. Ele foi editor do Diário de Manhuaçu. Natural de Bom Jesus do Galho (MG), filho de Seu Juca e Dona Cotita, carrega nas memórias e no coração as raízes do interior mineiro e a paixão pelas palavras. Com carreira consolidada na imprensa regional, estreia na literatura de ficção com um romance que questiona os limites da superação e o preço da redenção.
Leitor de Faulkner, Dostoiévski, Nick Hornby e Jonathan Coe, Horta combina erudição, humor e afeto em uma prosa que dialoga com a vida real sem perder o tom poético.
“O Clube da Segunda Chance é sobre o que resta quando tudo parece ruir — e sobre o improvável encontro com a chance de recomeço, nos lugares e nas pessoas menos esperados”, define o autor.
SERVIÇO
O Clube da Segunda Chance
Autor: José Horta
Editora: Viseu
296 páginas | Formato 14 x 21 cm
Disponível em: www.editoraviseu.com.br e principais livrarias online, como a Amazon. O livro pode ser adquirido diretamente com o autor, através do WhatsApp (33) 99979-1969.

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