IBATIBA (ES) - Suspeitas de irregularidades em uma ocorrência policial que terminou com dois mortos levaram à prisão de quatro policiais militares durante a Operação Lucas 3:14, deflagrada no dia 3 de junho, no Espírito Santo. Ao todo, oito pessoas foram presas na ação, segundo informações divulgadas pela Polícia Civil.
A operação foi realizada pela Polícia Civil, pela Corregedoria da Polícia Militar e pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). Doze pessoas são investigadas por crimes como homicídio, fraude processual, pistolagem e organização criminosa. As apurações começaram após uma ocorrência registrada em 5 de dezembro de 2025, às margens da BR-262, na zona rural de Ibatiba. Na ocasião, uma equipe da Polícia Militar informou que foi recebida a tiros durante uma abordagem a ocupantes de um veículo suspeito. Dois homens morreram na ocorrência.
Segundo o delegado Bruno Alves, titular da Delegacia Regional de Ibatiba, a investigação identificou divergências entre a versão registrada no boletim de ocorrência e outros elementos reunidos posteriormente. “Aquela situação narrada no boletim de ocorrência não estava coerente com outras informações”, afirmou o delegado durante coletiva de imprensa.
INVESTIGAÇÃO
De acordo com o superintendente de Polícia Regional Serrana, delegado Alberto Roque Peres, os levantamentos foram realizados em conjunto pela Delegacia Regional de Ibatiba, pelo comando do 14º Batalhão da PM, pela Corregedoria da corporação e pelo Ministério Público.
Conforme a Polícia Civil, as investigações apontaram indícios de possíveis irregularidades ligadas à ocorrência, incluindo suspeitas de ocultação de informações e fraude processual. A polícia também informou que o caso pode ter relação com uma antiga disputa familiar na zona rural de Ibatiba e municípios próximos. Um dos homens mortos na ocorrência tinha passagens policiais, era investigado por homicídios e estava foragido do sistema prisional, segundo as autoridades.
Ainda de acordo com a investigação, dois servidores municipais estão entre os presos temporariamente e são suspeitos de atuar como intermediários na organização investigada.
Os quatro policiais militares presos são um sargento e três soldados. Segundo a Corregedoria da PM, eles atuavam em escalas diferentes e não integravam uma equipe fixa. O corregedor da Polícia Militar, coronel Webstone Alves Christ, informou que um procedimento administrativo disciplinar deverá ser instaurado após a conclusão das investigações para apurar a conduta individual dos militares.

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